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A construção da Fábrica da Pólvora é um marco na transformação da paisagem envolvente, até à época dominada por baldios e explorações agrícolas que tiravam partido da existência de terras férteis e de uma ribeira que atravessa o vale, com um curso incessante, durante o ano inteiro. Hoje, quase quatrocentos anos passados, uma parcela significativa da paisagem original que recebeu a Fábrica cedeu espaço ao crescimento urbanístico, nem sempre harmonizado com os principais elementos da Natureza. Desde o primeiro dia de funcionamento que a Fábrica (implantada no sec. XVII) desenvolve actividades com recursos a sistemas hidráulicos de captação e escoamento de águas, que devolvem à ribeira, através de um processo não poluente, o caudal utilizado como força motriz de vários engenhos. Este processo de fabrico só se tornou viável, porque a implantação neste vale outrora isolado teve em conta as características hidrológicas e topográficas envolventes. Em vez de lutar contra as regras impostas pela natureza, os construtores do edifício tiveram de aprender a moldá-las. E isso é bem visível nas robustas paredes com revestimentos de cantaria, que se elevam bastante acima do leito torrencial da Ribeira. Em 1883, a Fábrica passa a acolher o complexo industrial das Oficinas a Vapor, que se ergue na margem direita da ribeira, com orientação aproximadamente norte-sul. É um edifício estreito, longo e compartimentado, com paredes de alvenaria robustas e estanques, onde antes assentavam coberturas leves. A linha de fabrico de pólvora iniciada no sec. XIX só veio a ser interrompida em 1972 com a ocorrência de uma violenta explosão. Terminada a utilização industrial, a Fábrica da Pólvora de Barcarena transformou-se num pólo cultural aberto à comunidade. Hoje, é um espaço em constante renovação, que perpetua o desenvolvimento da localidade e propicia actividades lúdicas e culturais.
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